Projeto Comunidade Escola conecta ciência, território e inovação social na Amazônia

O Instituto Federal do Pará (IFPA), Campus Belém, desenvolve, desde 2022, o Projeto Comunidade Escola, uma iniciativa reconhecida nacionalmente por articular ensino, pesquisa e extensão na construção coletiva de soluções sustentáveis em territórios amazônicos. Atuando diretamente na Comunidade Maria Petronília, no Porto Ceasa, em Belém, o projeto já mobiliza cerca de 200 pessoas, entre moradores, pesquisadores, estudantes e parceiros institucionais.


Ao todo, participam aproximadamente 20 integrantes internos, entre docentes, técnicos e discentes do IFPA, além de colaboradores externos e residentes de uma área que abriga cerca de 50 famílias. As ações são desenvolvidas em nove eixos temáticos estratégicos, como saneamento, saúde, habitação, tecnologias apropriadas e manejo ambiental.


O Comunidade Escola é resultado da metodologia desenvolvida no âmbito da Especialização em Tecnologia Social em Saneamento, Saúde e Ambiente na Amazônia, curso ofertado pelo IFPA e atualmente em sua sexta turma. Mais que um projeto, trata-se de uma estratégia integradora que aproxima o ambiente acadêmico das realidades amazônicas, conectando estudantes, professores e moradores na cocriação, implementação e monitoramento de ecotecnologias.


Na prática, o projeto cria uma ponte permanente entre dois espaços formativos: A Comunidade Maria Petronília, onde as soluções sustentáveis são aplicadas e testadas, e o Bosque Ecotecnológico do IFPA, Campus Belém, que abriga módulos experimentais das mesmas tecnologias, funcionando como uma vitrine ecotecnológica aberta à visitação.


“Ambos os espaços poderão ser visitados, funcionando como laboratórios vivos interconectados, voltados à difusão de práticas sustentáveis e à formação profissional, o que deve acelerar a difusão de soluções efetivas, o que deve evitar as experiências abandonadas, comuns na região”, explica o Coordenador do projeto, Valdinei da Silva.


O terceiro pilar do projeto é composto pelas parcerias com outras organizações públicas e privadas, fortalecendo o arranjo institucional que sustenta a implementação das ações.


“Esse conjunto de parcerias gera expectativa de ampliação do alcance territorial do projeto, assegura sua sustentabilidade e consolida o Comunidade Escola como uma referência em práticas colaborativas de inovação social na Amazônia. As organizações como EMBRAPA, COSANPA, AEKO já estão oficialmente vinculadas ou em processo de formação de parceria”, complementa Valdinei da Silva.


Equipe multidisciplinar integrada


A equipe possui uma composição diversificada, participam docentes, técnicos e estudantes de cursos técnicos, superiores e de pós-graduação do IFPA, reunindo diferentes núcleos e grupos de pesquisa: NUPESA – Núcleo de Pesquisa em Saneamento Ambiental, LOGIMAZ – Saúde, Gestão e Ambiente, Paralela – Design e Arquitetura da Amazônia, Grupo de Recursos Aquáticos Amazônicos e Grupo Interdisciplinar para Educação em Ciências e Matemática. Além desses, integram ações e projetos como Ateliê Infantil Ribeirinho, Circuito Musical na Comunidade, ECOBIJU e RIBEIRIZAR, ampliando a atuação em inovação social.


Moradores da comunidade também atuam como articuladores locais, fortalecendo a horizontalidade da proposta. Os discentes envolvidos têm entre 16 e 35 anos e participam de todas as etapas: visitas técnicas, diagnóstico participativo, mapeamentos, oficinas formativas e produção de materiais educativos. Eles fazem parte dos cursos: Especialização em Tecnologia Social em Saneamento, Saúde e Ambiente na Amazônia, Especialização em Saúde Pública, Tecnologia em Saneamento Ambiental, Técnico em Saneamento, Técnico em Design de Interiores e Recursos Pesqueiros.


Protagonismo comunitário desde o início


A participação da Comunidade Maria Petronília é central na concepção do projeto. “A comunidade Maria Petronília (Porto Ceasa) é co-participante em todas as etapas do projeto. Desde a primeira visita em 2022, os moradores contribuem com o diagnóstico participativo, identificando demandas de saneamento, saúde e habitação saudável. Em 2023, foi criado um Grupo de Trabalho (GT) que representou a formalização inicial da parceria por meio do Processo Administrativo nº 23051.025581/2023-97, aberto a pedido dos próprios moradores. A partir desse processo, a comunidade passou a deliberar junto ao IFPA e parceiros sobre as prioridades e a escolha das ecotecnologias, participando de oficinas, mutirões e avaliações técnicas. Essa relação horizontal consolidou o protagonismo local e inspirou a proposta de criação da função de Agente Comunitário de Saneamento, que deve se tornar o elo permanente entre o IFPA e o território”, relata o coordenador.


Especialização em Tecnologia Social


A Especialização em Tecnologia Social ofertada pelo IFPA é o núcleo científico e metodológico do Comunidade Escola. A partir das pesquisas e práticas de campo desenvolvidas no curso, foram estruturados os primeiros protótipos, diagnósticos e metodologias participativas. A iniciativa já é reconhecida nacionalmente pela Fundação Banco do Brasil com o nome “Comunidade Escola: Tecnologia Social para Mitigação e Adaptação Climática em Comunidades Vulneráveis”.


Além disso, o curso integra estudantes diretamente ao projeto por meio de atividades práticas como elaboração da Cartilha de Manejo de Resíduos Sólidos (julho de 2025) e início da operação da Fossa Séptica Biodigestora Adaptada (agosto de 2025). O projeto reafirma o papel do IFPA como instituição pública comprometida com ciência aplicada e transformação social na Amazônia.


Reconhecimento nacional


Em 2025, o Comunidade Escola foi selecionado entre 571 propostas de todo o país no Edital da Fundação Banco do Brasil de Apoio ao Desenvolvimento e Reaplicação de Tecnologias Sociais. A iniciativa integra o Programa INCUB.TS, em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), passando por seis meses de formação, aprimoramento metodológico e construção de estratégias para sua reaplicação nacional.

Diretoria de Comunicação do Conif​

Texto: Assessoria de Comunicação do IFPA

Foto: Arquivo IFPA

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