Professor do IFFar fala sobre riscos das inundações para as edificações

Além da correnteza e os deslizamentos de terra, as inundações podem trazer riscos de longo prazo para a estrutura das edificações, conforme explica o professor Rodrigo Padilha. A umidade excessiva nas paredes também pode favorecer o aparecimento de mofos que fazem mal à saúde.


O professor Rodrigo Padilha, junto de servidores e alunos do Campus Santa Rosa, também auxiliou recentemente a recuperar a casa e móveis de uma estudante atingida pelas chuvas históricas no Rio Grande do Sul. Confira o texto completo sobre essa ação neste link.


Quais são os riscos que as inundações oferecem para as residências?


De acordo com o professor Rodrigo Padilha, além dos impactos mais imediatos causados pela correnteza e pelos deslizamentos de terra, as inundações também trazem riscos de longo prazo para a estrutura das residências.


A maior parte das casas brasileiras são construídas em concreto armado. O concreto é um material poroso que pode acabar absorvendo muita água em virtude das enchentes. As armações são feitas de aço que pode oxidar devido ao contato prolongado com a umidade. Ao oxidar, o aço expande, causando rachaduras e comprometendo a estrutura das casas.


O professor do Campus Santa Rosa destacou que esse não é um problema que vai ser percebido de imediato. A oxidação das armações e as rachaduras nas paredes podem levar anos para aparecer, mesmo que não ocorram novos episódios de inundação.


E não são apenas problemas nas estruturas das casas que as enchentes trazem. Com o inverno se aproximando e considerando que as estruturas nem sempre são planejadas para a circulação de ar e posicionamento solar, as casas podem demorar mais tempo para secar. A umidade acumulada pode favorecer o surgimento de mofos que podem ser prejudiciais à saúde.


Como saber se a casa está segura?


Os sinais visíveis em caso de oxidação da armação das residências são as rachaduras nas paredes. Mas também podem existir outros riscos mais difíceis de serem percebidos. O surgimento de valetas na volta das casas, por exemplo, são sinais bastante preocupantes, observa o coordenador do Curso Técnico de Edificações do Campus Santa Rosa.


O mais recomendado é que seja feita uma avaliação por um profissional. Há algumas medidas que buscam facilitar o acesso a esses serviços. O CREA, por exemplo, dispensou a necessidade de recolhimento de ART - parte do que o profissional cobra e é repassado ao Conselho - para os casos que envolvem projetos de casas atingidas pelas enchentes.


Também é fundamental que as pessoas sigam as orientações das autoridades em relação à segurança das habitações e o retorno às áreas atingidas.


É possível evitar os problemas causados pelas enchentes?


A situação de alagamento não é algo normalmente previsto nos projetos de residências simplesmente porque não deveria ocorrer.


O ideal é que os locais de construção fossem mais bem planejados, evitando leitos de rio, por exemplo. Esses locais, pelo contrário, deveriam ser reflorestados.


Além disso, as cidades deveriam ser mais bem pensadas no sentido de evitar situações que favoreçam alagamento. O asfalto, por exemplo, impede que a água seja absorvida pelo solo. Mas o asfaltamento pensado juntamente com bons pontos de infiltração de água nos solos, pode retardar a evolução do nível dos rios, dando mais tempo de fuga para as pessoas se protegerem.

Diretoria de Comunicação do Conif

Texto: Secom/IFFar

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