Aluna do IFPA é premiada por projeto de educação antirracista

A estudante do Instituto Federal do Pará (IFPA), Campus Belém, Rosiete Lessa, é uma das premiadas da 8ª edição do Prêmio Educar, que neste ano busca valorizar a educação antirracista. Rosiete é professora da escola Municipal de Ensino Fundamental São Judas Tadeu, em Bujaru, e foi premiada pelo projeto “Afrobetizando alunos para a construção de sua Cultura e Identidade”, o único selecionado da região norte do país.


O projeto visa contribuir para que pessoas negras possam interagir e garantir seus direitos e deveres como cidadãos na sociedade, a partir do reconhecimento de seus valores quanto à pluralidade racial. Para isso, são desenvolvidas ações relacionadas às características étnicas e culturais dos diversos grupos sociais do povo brasileiro, às desigualdades socioeconômicas e à abordagem crítica sobre as relações sociais discriminatórias e excludentes. Ainda são tratados assuntos referentes à diversidade, a fim de incluir temáticas étnico-raciais no currículo escolar.


Rosiete Lessa conta que a ideia para o projeto surgiu quando ela percebeu que os alunos não conheciam sua própria história e sua cultura. “Nós fizemos uma inscrição, no Conaq [Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas], onde essa inscrição era para meninos e meninas quilombolas e eram meninos de 12 a 16 anos, para fazer uma redação, e no momento em que a gente fez a inscrição de mais ou menos 22 crianças, essas crianças teriam que fazer uma redação sobre o que é ser um menino ou uma menina quilombola e aí eu me deparo com uma situação em que eles não conhecem sua história, sua origem de fato. Nesse momento eu pensei que a gente precisava trabalhar de uma forma em que as crianças, desde a base, se conheçam, conheçam sua história e sua cultura, então nós estamos trabalhando com eles”, relata a educadora.


Para a professora, o conhecimento é uma importante ferramenta na luta por direitos, por isso, ao perceber que os jovens desconheciam a própria cultura, ela criou o projeto. “É para que eles tenham força, sejam firmes e possam, mais adiante, lutar por seus direitos, lutar pela causa de uma educação antirracista e, além de tudo, ser antirracista, porque a gente percebe que muitas pessoas ainda relutam por não entenderem, por não saberem da questão da identificação como quilombola, de se identificar como negros, conhecer realmente a sua história”, defende Rosiete Lessa.


Além de professora atuante em Bujaru, Rosiete Lessa é discente da Pós-Graduação em Educação para Relações Etnicoraciais, ofertada pelo Campus Belém do IFPA. Para a estudante, a especialização trouxe muitas contribuições para a criação do projeto. “Essa especialização de educação étnico-racial abriu um leque de conhecimentos que eu realmente desconhecia. Apesar de eu já lutar por essa causa, tinha muitas coisas ainda que me faltavam, que eu passei a ter conhecimento somente nessa especialização, até porque nós tivemos professores maravilhosos que nos deram muito suporte teórico com relação às relações étnico-raciais. Todos nós professores educadores deveríamos lutar pela causa e fazer essa especialização, porque ela nos transmite muito conhecimento, coisas que eu jamais imaginei ter conhecimento e hoje eu tenho por conta dessa especialização. Hoje eu posso dizer que posso lutar conhecendo realmente a causa e justamente foi conta dessa especialização”, destaca a Rosiete Lessa.


A 8ª edição do Prêmio Educar tem como tema “Educar com Equidade Racial e de Gênero: experiências de gestão e práticas pedagógicas antirracistas em ambiente escolar”. O objetivo da premiação é identificar, apoiar e difundir boas práticas pedagógicas e de gestão escolar que promovam a equidade racial e de gênero, a fim de concretizar o direito ao pleno desenvolvimento escolar de crianças, adolescentes e jovens negros/as, brancos/as, indígenas e de outros grupos étnico-raciais. Foram eleitas oito propostas na categoria Professor. Cada educador premiado levou o prêmio de sete mil reais e um kit de livros na temática de equidade racial e de gênero na educação básica.


“Eu estou imensamente feliz pelo resultado, pelo reconhecimento e o melhor de tudo é saber que está funcionando, que está dando certo, porque a gente já começou a ter pessoas mais envolvidas na causa. Nós sabemos que não é fácil, nunca vai ser fácil lutar por uma causa que, a nível de município, não é reconhecida por muitos, então nós precisamos fazer algo nesse sentido e o fazer algo é ir buscar conhecimentos e repassar esses conhecimentos para os demais. Eu tive uma experiência que era uma mistura de sentimentos, era felicidade, era emoção, enfim, todo o aprendizado foi de mais importância ainda, não apenas a premiação, pois independente de eu ser premiada ou não, eu já estava colocando o projeto em prática, então ele só veio a contribuir ainda mais para esse processo”, comemora Rosiete Lessa.


Assessoria de Comunicação do Conif

Texto: Ascom IFPA

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