Entre os dias 11 e 15 de novembro de 2025, cinco representantes do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) participaram do Projeto UniAldeias, ação de extensão coordenada pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) que reuniu universidades públicas e comunidades Guarani do litoral norte catarinense.
Ao longo de cinco dias, equipes da Udesc, UFSC, UFG, IFSC e IFC desenvolveram atividades em 14 aldeias localizadas nos municípios de Joinville, Araquari, Balneário Barra do Sul, São Francisco do Sul e Garuva. O foco foi o diálogo intercultural, a valorização dos saberes tradicionais Guarani e a construção coletiva de ações voltadas ao desenvolvimento local sustentável.
O IFSC participou do UniAldeias com servidores de três câmpus: Hélen Angélica Modrak, auxiliar em administração e assessora de Comunicação e Relações Externas (Câmpus São Miguel do Oeste); Maria Helena Mosquen, assistente em administração (Câmpus Canoinhas), Roberta Ribeiro, docente e arquiteta e urbanista (Câmpus Criciúma), Tiago Rodrigues Galvão, administrador (Câmpus Criciúma) e Vandamaris Ângela Scopel, assistente social (Câmpus Criciúma).
As equipes do IFSC foram distribuídas em diferentes aldeias Guarani, onde acompanharam oficinas, rodas de conversa, atividades culturais, ações de educação, comunicação e saúde, em articulação com projetos de extensão das demais instituições parceiras. A programação incluiu o Encontro das Escolas Indígenas do Litoral Norte de SC, realizado na Udesc Joinville, além de três dias de imersão nas aldeias.
Vivências nas aldeias Guarani
Durante a imersão, os participantes puderam conhecer mais de perto o cotidiano das comunidades, sua organização, a importância da língua Guarani, dos rituais e das casas de reza, bem como desafios relacionados a território, educação, saúde, condições de moradia e saneamento.
Hélen Angélica Modrak, do Câmpus São Miguel do Oeste, foi para o UniAldeias com uma ansiedade de ‘fazer’. “Cheguei apreensiva, com dúvida se eu teria algo realmente útil para entregar. Mas logo percebi que, antes de qualquer ação, eu precisava aprender a acompanhar o ritmo das comunidades. A conversa Guarani tem outra cadência: há pausas longas, silêncios que não são vazios, mas modos de conversar que exigem atenção plena. Para alguém tão tagarela quanto eu, esse foi um exercício intenso de paciência e presença”, relata.
À medida que os dias passaram, na Aldeia da Conquista, por exemplo, Helen encantou-se com a música e também com a maneira como o aprendizado acontece. “No meu convívio, conheço pouquíssimas pessoas que tocam violino e, em geral, aprender esse instrumento exige estudo estruturado e um certo investimento. Lá, porém, dominar esse instrumento faz parte do cotidiano com uma naturalidade linda de ver. Esse contato ampliou meu olhar sobre as diferentes formas de aprender, compartilhar saberes e desenvolver habilidades”, afirma.
A servidora teve a função de documentalizar o trabalho das mulheres artesãs, para além das técnicas e processos criativos. “Para quem tiver curiosidade, esses registros estão sendo compartilhados no perfil @kunhanguenhemboaty, lá no instagram”, afirma.
Roberta Ribeiro, do Câmpus Canoinhas, conta que foi para esta imersão com objetivo de levar ao conhecimento das comunidades indígenas uma possibilidade viável e de baixo custo para a demanda do saneamento, levantada pelas equipes durante consulta prévia, como também de dar sentido e propósito ao fazer docente. Para participar, a servidora enviou o projeto “Saneamento Ecológico: banheiro seco e telhado verde com captação de água da chuva, como proposta de aplicação de conceitos éticos e de planejamento da Permacultura na construção civil”, uma parceria com a docente Gabriela Moraes, do curso de Arquitetura e Urbanismo da Udesc Laguna, e com estudantes do curso.
Após autorização do cacique, as professoras iniciaram o trabalho, com a comunidade composta por onze pessoas (dentre elas, uma idosa e quatro crianças em idade escolar). “Era uma comunidade carente, que não possui água encanada, nem banheiros ou local apropriado para tomar banho com dignidade e proteção do frio, visto que é uma região sujeita a baixíssimas temperaturas no inverno”, conta Roberta.
“De imediato, percebemos que a maioria destes problemas poderiam ser solucionados com instalações simples e de baixo custo, como a captação de água da chuva para diversos usos e construção de sanitários secos. Em todas as visitas de modo geral, fomos provocados a estar mais atuantes, trazendo soluções práticas para as comunidades que anseiam e urgem por elas. Desse modo, estaríamos mais próximos enquanto sociedade de garantir que não apenas seus direitos básicos sejam respeitados, como também suas culturas e territórios possam ser protegidos. Em contrapartida, poderíamos experienciar lições inestimáveis sobre a cosmovisão indígena, sua relação com o meio ambiente, a vida em comunidade, seus saberes tradicionais, os quais muito contribuem para um direcionamento mais assertivo de nossa existência no Planeta Terra”, relata a professora.
Saiba mais
O UniAldeias é promovido pelo Núcleo Extensionista Rondon da Udesc (NER/UDESC), com apoio da Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Comunidade (Proex), e parceria de instituições como UFSC, IFSC, IFC, UFG, Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), FECAM, Coordenadoria Regional de Educação de Joinville, prefeituras municipais e organizações da sociedade civil.
Diretoria de Comunicação do Conif
Texto Colaborativo: Por Rafaela Menin/Jornalista do IFSC
Foto: Arquivo IFSC