No dia 21 de agosto, uma aula prática do curso técnico em Aquicultura integrado ao ensino médio do IFPA – Campus Vigia inovou apresentando como fazer embutido. O ingrediente principal foi o filé de Dourada que foi transformado em linguiça artesanal. A atividade fez parte da disciplina Beneficiamento do Pescado para estudantes do 2º ano. Os estudantes aprenderam como transformar uma matéria-prima regional em um novo produto, com alto valor agregado.
Durante a aula, os estudantes puderam observar todas as etapas da produção. Eles aprenderam sobre a seleção e preparação dos ingredientes, a dessalga da tripa suína, o embutimento com ensacadeira e os cuidados necessários com higiene, equipamentos de proteção e manipulação dos alimentos. A receita utilizou filé de Dourada, tripa suína calibre 28, batata para dar liga, limão, pimenta-do-reino e açafrão. Tudo foi feito sem adição de gordura suína ou aditivos industriais.
Para o estudante Kaio Cézar Costa Araújo, de 18 anos, que auxiliou o professor em algumas etapas da preparação da linguiça, a experiência o ajudou a compreender melhor o conteúdo estudado em sala. “A prática ajudou a fixar melhor o conteúdo visto nos livros”, afirmou.
Ele também destacou o trabalho em equipe durante a produção. “Dividimos tarefas como cortar, temperar e embutir a carne. O processo exigiu cuidado para não rasgar a tripa ou deixar bolhas de ar”, relatou.
O professor Paulo Marcelo Lins explica que a atividade teve como principal objetivo ensinar uma técnica capaz de agregar valor ao pescado e ampliar as possibilidades de aproveitamento da matéria-prima.
Segundo ele, os estudantes tiveram contato com os conceitos teóricos e, depois, aplicaram os conhecimentos durante a produção e a degustação. A proposta também apresenta aos alunos uma possibilidade de futuro profissional, inclusive para quem deseja empreender com produtos derivados do pescado.
A atividade nasceu de uma iniciativa do próprio professor, que realizou quatro testes em casa antes de levar a experiência para a sala de aula. Como o Campus ainda não contava com os equipamentos necessários, ele adquiriu um kit para a produção e testou o funcionamento da ensacadeira e o protocolo de preparação.
Na aula, os estudantes também participaram da degustação do produto. A maioria aprovou o sabor e a textura da linguiça, e apenas um aluno não gostou do resultado comentou professor Paulo Marcelo Lins.
A experiência mostra como a formação técnica pode sair dos livros e ganhar forma dentro do laboratório e da sala de aula. No curso de Aquicultura, os estudantes também aprendem técnicas de controle de qualidade, boas práticas de beneficiamento de peixe e subprodutos.
Para o estudante Ryan Sarmento Lobo, 18 anos, um dos principais desafios encontrados durante a aula demonstrativa foi saber qual tripa era a melhor para fazer a linguiça do peixe. “Algumas tripas são mais fáceis para colocar a carne do peixe. O professor ensinou que podemos ter vários métodos para aproveitar ao máximo o peixe, a linguiça e um deles”, relembra.
A aula prática, na visão de Ryan Sarmento, o ajudou a reforçar os valores de atuação em equipe. “Ajudou a ter noção de como uma empresa funciona, já me preparando para o mundo do trabalho. A aula proporcionou um conhecimento maior sobre a área da aquicultura e da pesca”.
Com atividades práticas como essa, o IFPA – Campus Vigia amplia a formação técnica e científica dos alunos, estimula a inovação e mostra que um peixe importante para a culinária e a economia do Pará, como a Dourada, também pode ganhar novos sabores e novas oportunidades.
Diretoria de Comunicação do Conif
Texto: Equipe de Comunicação do IFPA
Foto: Arquivo IFPA